domingo, maio 02, 2010

O PEC

Se estamos mal de finanças
É culpa de quem governa
Tentam sempre dar o passo
Muito maior do que a perna

Temos uma bola de neve
E que agora ninguém move
Se parar, o bicho pega
Se correr, o bicho come

Tiraram da manga o PEC
E com ele as discussões
Não há santo que nos valha
Nem mesmo o euro milhões

Agora dizem que tenho
Dezoito mil euros a pagar
Se eu nunca os vi na vida
Onde raio os fui gastar?

Tenho no ouvido uma frase
Que ouvi a um bom orador
Aquele que paga mal
É sempre um bom cobrador

Portugal é uma pérola
À beira do mar plantado
E nem sequer tem a culpa
De ser tão mal governado

Não vislumbro um bom futuro
Nem sequer um fim á vista
Pode ser que o aeroporto
Nos traga uma boa pista!

Isabel Gaudêncio

As tasquinhas

As tasquinhas e os cafés
São o aconchego da gente
Ponho a conversa em dia
E bebo qualquer coisa quente

Entre uma conversa e outra
E mais o que se bebeu
Quando eu me apercebi
Quem estava quente era eu

Lembrei-me do tal proverbio
Do menino e do borracho!
Mas, vá que Deus se esquece
De me por a mão por baixo?

Tal como é meu apanagio
Nunca dou parte de fraco
Afinal quem é que manda?
Sou um homem! Ou um rato?

Por muito que me equilibre
As pernas não estão direitas
Ou o vento é muito forte!
Ou as ruas são mal feitas?

Tento passar despercebido
Porque a rua está torta
lá vou curva contracurva
Até encontrar a porta

Isabel Gaudêncio

sábado, março 27, 2010

A Frase Escondida

Que bem prega Frei Tomás
A justiça do nosso País
Não facas como ele faz
Ouve só o que ele diz.

Com tecnologia de ponta
E mesmo assim não resulta
Alvíssaras, meus senhores
A quem vir a face oculta.

Quem escuta de si ouve
Pode ouvir o que não gosta
Fica muito embaraçoso
Ter que dar uma resposta.

Como é que vai responder
Se não vê o inimigo?
E vendo as coisas bem vistas
Todos têm telhas de vidro.

Deixem as querelas de lado
Só para ver se a gente atina
Quando ralham as comadres
A verdade vem ao de cima.

Parem lá de medir forças
Que já não há paciência
São pagos para trabalhar!
Ou levar o País à falência?


Isabel Gaudêncio

sábado, abril 04, 2009

Cada um dá-lhe o nome que quer


Desculpem a minha ignorância
Que eu confesso o meu pecado
Nunca pensei que o dinheiro
Tivesse que ser lavado

Mas ser lavado porque?
Escapa-me algum pormenor!
Porque o dinheiro para mim
Só se lava com o suor

Não deve ser coisa boa
Se fosse, eu já sabia
Como é que se fica rico
Assim da noite pró dia?

Dê ele as voltas que der
seja bem ou mal lavado,
Cá p'ra mim tem outro nome
Não deixa de ser ROUBADO

Isabel Gaudêncio
Foto de Jeff Belmonte

sábado, fevereiro 28, 2009

Novos trabalhos

Aqui estão mais alguns trabalhos feitos com sacos de plástico entrançados. Desta vez são três jarrinhas para flores e um abat-jour para candeeiro.
Espero que gostem.




domingo, fevereiro 15, 2009

Doce recordação

Pai

Tu foste sempre o meu melhor amigo
Tudo o que sei eu aprendi contigo
Tu foste um farol no meu caminho
Teus conselhos ficaram no meu ouvido
A vida sem amor não faz sentido
Por isso me deste tanto carinho


Lembro-me daqueles dias
Quando comigo saías
E me levavas pela mão
Dos carinhos que me davas
Quando comigo brincavas
E me davas atenção

Tenho saudades do tempo
Em que aguardava o momento
Com um sorriso na boca
Quando à noite eu esperava
P'lo beijo que o pai me dava
Ao aconchegar-me a roupa

As canções que me cantavas
As historias que me contavas
Para eu adormecer
Contigo não tinha medo
Eu sonhava em segredo
Era feliz sem saber

És a razão do meu ser
Ensinaste-me a viver
Estiveste sempre ao meu lado
Eu sempre gostei de ti
Mas quanto mais eu vivi
Mais te tenho admirado

Filha Isabel

sábado, janeiro 17, 2009

A POESIA QUE EU GOSTO


A poesia é uma porta
Que se abre ao pensamento
É como fechar os olhos
E voar nas asas do vento

Pode levar-me tão longe
Faz-me sentir tão feliz
Não preciso de passaporte
Entro em qualquer país

A poesia não se aprende
Ou se gosta ou se odeia
Quando prende o coração
Fica como uma cadeia

Que me prende os pés ao chão
Como a planta com raiz
E cresse no meu coração
Para me fazer feliz

Leva-me a onde eu quiser
Vejo as coisas com amor
São os meus sonhos secretos
A que só eu sei dar valor

Isabel Gaudêncio

sábado, novembro 08, 2008

O princípio da reciclagem

Jesus conta uma parábola
De São Pedro e a ferradura
Desde que o mundo é mundo
Que a vida sempre foi dura

Não foi por acaso que Jesus
Chamou Pedro à atenção
E lhe mandou apanhar
Uma ferradura do chão

Está velha, respondeu Pedro
E já não serve para nada
Jesus baixou-se apanhou-a
Para depois ser reciclada

Com o dinheiro, comprou cerejas
Que no seu bolso guardou
São Pedro ficou aflito
Quando a sede o apertou

Quando Jesus percebeu
De quanto o Pedro sofria
Lá foi espalhando as cerejas
Que ele apanhava e comia

Na ultima voltou-se e disse
Para pensar bem no que fez
Se apanhasses a ferradura?
Só te baixavas uma vez!

Pode ser só uma metáfora
Ou simplesmente miragem
Mas foi o primeiro homem
Que pensou na reciclagem

Isabel Gaudêncio

sábado, julho 12, 2008

Artesanato com sacos de plástico

Aqui se mostra como os sacos de plástico dos hipermercados podem ter uma segunda vida...





sábado, fevereiro 09, 2008

QUEM É A LEI ?

Os meninos da ASAE

Estão a deixar-me intrigada

Ou a lei está mal feita

Ou é mal executada.


Passam tudo a pente fino

Não sei que tanto farejão

Até posso vender tudo!

Só preciso é que não vejam!


Tem que deitar isto fora;

Por quê? se não está estragado!

Ou eu cheguei na hora certa!

Ou estava no sitio errado?


E lá levarão o presunto

Que o dono tinha comprado

Eu gostava de ajudar à festa!

Só que eu não fui convidado!

Se querem mesmo trabalhar

Comecem p'lo sitio certo

Descargas que matam tudo!

Esgotos a céu aberto?


Deitar bons produtos fora

Só quem não tem coração

E não sabe o que é ouvir

Chorar os filhos sem pão


São ágeis e habilidosos

Pensam que nada lhes escapa

Mas por favor; tenham dó,

São mais papistas que o Papa?


È bom que ninguém se iluda

fica só a intenção

Só pescam arraia miúda

Nunca chegam ao tubarão


Não sei qual é a ideia

Que agora tudo faz mal

Querem ver que já não posso

Comer couves do meu quintal?


Pobreza, chega a que temos

Cada vez mais bate à porta

Deixem lá os pobrezinhos

Comer o que colhem na horta!


Tem que haver regras, e controle

Para saber o que se consome

Mas quem fez leis tão severas

Nunca soube o que era fome?


Com tantos cuidados que há

Não há razão para censura

Mas ninguém fica por cá!

Se não morrer do mal, é da cura!


Afinal quem é a lei?

Não tem rosto, não tem voz:

Se quem a faz, não a cumpre;

O que é que esperam de nós?

Isabel Gaudêncio

terça-feira, maio 01, 2007

A Bola

Havia o mercado negro
Da venda do ser humano
O mercado agora é livre
Está aberto todo o ano

Só lhe mudaram o nome
Para não haver tanto impasse
E já não compram um escravo!
Apenas compram um passe?

Tão bem mudou a condição
Como agora são tratados
Mas nunca se sabe ao certo
Por quanto foram comprados?

É triste, mas é verdade
Esta de comprar contratos!
É que compram as pessoas
Como quem compra macacos?

E a chicotada psicológica?
Hoje em nada é parecida
Com a chibata da senzala
Que a tantos tirou a vida?

Quem comprou muitos escravos
Foram os Reis do café
Mas quem ficou mais famoso
No Brasil foi o Pélé?

E não cultivou café!
No Brasil, nem em Angola
É famoso por saber
Dar bons pontapés na bola!

Portugal também foi longe
E ainda hoje é lembrado
Por Eusébio, o pantera negra
E Amália, a diva do fado

A bola, em primeiro plano
É sempre o prato do dia
E se não houvesse bola?
De que é que se falaria?

Novelas, cafés e bola
E toda a gente é feliz
É por aqui que se vê
A cultura dum País!

Isabel Gaudêncio

sábado, março 17, 2007

Um Hino à Serra da Estrela


Unhais da serra é um hino
de louvor à Natureza
Bem-haja a quem a criou
A quem lhe deu tal riqueza

Com a Serra da Estrela imponente
Que deslumbra o nosso olhar
Nunca ficou indiferente
Quem já nos veio visitar

Na primavera é mais bela
Toda coberta de flores
Mais parece uma aguarela
Que alguém estendeu à janela
Feita por muitos "Pintores"

No verão é deslumbrante
Mais parece um Paraíso
E oferece sempre com graça
Água fresca a quem passa
Sempre com o mesmo sorriso

No Outono é um mistério
Que ainda esta por desvendar
Cobre-se de neblina
Como quem corre uma cortina
E não nos deixa espreitar

No Inverno muda de cor
Mas nunca perde o encanto
E mostra-se tão formosa
Como uma noiva vaidosa
Toda vestida de branco

Isabel Gaudêncio

sexta-feira, dezembro 29, 2006

O Natal da minha infância

O Natal da minha infância
Recordo com alegria
Com paz amor e carinho
E o pão de cada dia

Tinha sempre a porta aberta
A lareira sempre acesa
Para quem tivesse fome
Tinha sempre o pão na mesa

Eu não tinha sapatinho
Eu não tinha chaminé
Tinha alguem que me falava
De Jesus de Nazaré

Hoje o Natal é diferente
Que se passou afinal
No lugar do Deus menino
Encontrei um Pai Natal

Encontrei casas mais ricas
Cheias de côr e de luz
Muitos brinquedos e prendas
Mas não falam de Jesus

Isabel Gaudêncio

domingo, maio 07, 2006

Os Olhos da Minha Mãe

Os teus olhos minhã mãe
Parecem dois peregrinos
Caminham à minha frente
A iluminar meus caminhos

Os caminhos que eu percorro
Já tu os sabes de cor
Foi neles que tu escreveste
A tua história de amor

Teus olhos dizem-me tudo
Mesmo que fiques calada
São o meu porto de abrigo
Da partida e à chegada

Teus olhos são como as estrelas
Que guiam os marinheiros
A qualquer porto onde eu chego
Teus olhos são os primeiros

Quando vem a tempestade
Eu procuro teu olhar
As tuas mãos minha mãe
Não me deixam naufragar

Isabel Gaudêncio

sexta-feira, abril 14, 2006

Piquenique

domingo, março 19, 2006

Dia do Pai

Ó pai amigo
hoje é o teu dia
vamos festejá-lo
com alegria

Mereces ter
a prenda mais bela
se eu chegasse ao Céu
colhia-te uma estrela

Sou pequenina
não chego lá
dou-te um beijinho
querido papá

Isabel Gaudêncio

domingo, fevereiro 26, 2006

Hino à Beira Interior

Ó Serra da Estrela
Tu és a mais bela
Tu és um encanto
Teu sorriso terno
Quando no Inverno
Te vestes de Branco

Ó Beira vaidosa
Tu és tão formosa
P'lo queijo da Serra
Vem nos visitar
Que vais adorar
Ver a nossa terra

A Guarda é mais alta
Mas nunca lhe falta
Motivos de Fé
De pedra vestida
A todos convida
Visitar a Sé

Linda Covilhã
Tu teces a lã
Ó nobre cidade
Tu formas doutores
São os teus amores
Universidade

Toda a gente gosta
Ver a tua mostra
Feira do Fundão
Castanhas e vinho
Pelo S. Martinho
Cerejas no Verão

Ó Cova da Beira
Não há quem não queira
Ver este recanto
Tu mandas recados
Com os teus bordados
Ó Castelo Branco

Ó Beira Interior
Tu és um amor
Mas és tão esquecida
Diz-me o coração
Por alguma razão
Que alguém lhe dá vida

Fiz tudo por ti
Nunca te esqueci
Ó Beira adorada
Só nas eleições
Há sempre razões
Para ser lembrada

Isabel Gaudêncio

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Um pedido ao S. Aleixo*

Santo Aleixo és padroeiro
Mas também és nosso guia
E talvez sem tu saberes
És dono de um centro de dia

É um centro bem bonito
Que tem dado que falar
Só não se arranja dinheiro
Para o poder acabar

Queremos fazer uma festa
Para o centro inaugurar
A única esperança que resta
É que venhas ajudar

Santo Aleixo eu só procuro
Por onde é que tens andado
Tira-nos lá deste apuro
Porque isto está complicado

Santo Aleixo tem cuidado
Vê lá bem aonde te metes
Olha que sem haver ovos
Não se fazem omeletes

Santo Aleixo és nosso amigo
Não nos vais deixar na mão
Para se acabar a obra
Dá lá só um empurrão

* Padroeiro de Unhais da Serra


Isabel Gaudêncio

Tudo por amor à Pátria

Cobiçam a minha vida
Invejam o meu dinheiro
Mas não sabem o trabalho
Que dá chegar ao poleiro

Não é fácil, não senhor
Beijar tantas malcheirosas
Apertar tantas mãos sujas
E abraçar crianças ranhosas

Tenho de estar preparado
Para qualquer coisa que surja
Mas o maior mau bocado
É lavar a roupa suja

Para entrar no mercado
Preciso ter nervos de aço
As peixeiras põem ao sol
Tudo quanto digo e faço

Sorriso de orelha a orelha
Falar até ficar rouco
De tudo quanto prometo
Tudo lhes parece pouco

Lá vou comer sem ter fome
E os almoços não são baratos
Muitas vezes há sobremesa
Tenho de engolir alguns sapos

Mas ser político é um dom
De quem tem bom coração
Faz todos os sacrifícios
Sempre a favor da Nação

Quer seja uma tartaruga
Um caracol ou uma lesma
Só mudam as posições
A bicharada é a mesma

Isabel Gaudêncio

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Despedida e Boas Vindas

Enterra-se o Ano Velho
Fez coisas boas e más
Festeja-se o que nasceu
Vamos ver o que nos traz

Aumentos já nós sabemos
Já foram anunciados
Só não são nada de acordo
Com os pequenos ordenados

A distribuição está mal feita
Mas também sempre assim foi
Aos pequenos não chega a um bife
Aos ricos passa de um boi

Mas o mal já vem de longe
Já dizia a minha mãe
Que o pobre só sente o frio
Conforme a roupa que tem

Já tem a sentença lida
Quer se porte bem ou mal
No fim de um ano de vida
Tem sempre o mesmo final

Isabel Gaudêncio